Catadores de material reciclável finalizam primeira etapa do curso de Logística e Atuação em Rede

Foi em tom de brincadeira e de muito aprendizado que se concluiu a primeira etapa do curso “Logística e Atuação em Rede para Utilização de Caminhões”, realizado pela UNISOL Brasil, por meio do Projeto Cataforte (Fortalecimento do Associativismo e Cooperativismo dos Catadores de Materiais Recicláveis), entre os dias 05 e 06 de junho. A atividade envolveu em torno de 20 empreendimentos que integram duas redes de cooperativas de catadores, uma localizada no ABCD e outra na região Oeste de São Paulo. As duas redes receberão 10 caminhões, que serão entregues durante a Rio+20, na presença da presidente Dilma Rousseff.
O financiamento do curso, bem como a doação dos caminhões, são de iniciativa da Fundação Banco do Brasil, com apoio da UNISOL Brasil, BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), Petrobrás, MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), Petrobrás Desenvolvimento e Cidadania e Movimento Nacional dos Catadores. A ideia é que o meio de transporte facilite ainda mais a vida dos catadores, agregando valor ao material que agora será vendido diretamente às indústrias. Um exemplo é o papelão que de R$ 0,18 passará a valer R$ 0,32 o quilo. Além disso, a coleta será ampliada para 30%. A iniciativa contou com investimento na ordem de R$ 1,5 milhão.
O curso foi aplicado pelo professor do Instituto de Logística de Grande ABC e da Universidade Metodista, Roberto Macedo. Entre os assuntos passados para a turma estava à manutenção do veículo, economia do combustível, custo benefício, os catadores como novos empresários do setor de reciclagem e negociação de produtos, entre outras abordagens. Os catadores revelaram que pouco entendiam sobre o tema “logística”, mas com o decorrer das aulas o assunto foi ficando bem mais claro. A formação foi ministrada durante 80h para lideranças de organização de catadores.
De acordo com o presidente da UNISOL Brasil, Arildo Mota Lopes, os catadores de material reciclável são sujeitos de todo o processo, em que decidem coletivamente um melhor aproveitamento e ampliação da coleta seletiva e fortalecimento das cooperativas do setor. “O intuito de se trabalhar a parte de gestão é para que em um futuro próximo catadores de todo o País possam participar de uma porcentagem significativa da cadeia, agregando valor a todas as etapas de trabalho”, afirmou Lopes.
O próximo passo será a visita técnica que o grupo fará ao setor de logística da Uniforja (Cooperativa Central de Produção Industrial de Trabalhadores em Metalurgia), no dia 27 de junho. Na sequência, será realizada formação de mil catadores da grande São Paulo.
Acompanhe o depoimento de algumas lideranças que receberam a formação:
“O caminhão facilitará as atividades na Coopernatuz, em Osasco, já que trabalhávamos com veículos emprestados pela prefeitura. O aumento na qualidade do serviço fará com que a gente constitua uma rede e construa a cooperativa de segundo grau, abrangendo todos os empreendimentos do setor da região Oeste de São Paulo”.
Marineide Alves – articuladora e diretora de relações públicas da Coopernatuz.
“É a primeira vez que tenho a oportunidade de fazer um curso de logística e atuação em rede. Com isso, levarei para a Associação Recicla Pirituba o que aprendi, convertendo em melhorias para os sete sócios cooperados”.
Fabiana dos Santos – presidente da Associação Recicla Pirituba.
“O curso nos ensinou até o que devemos fazer em situações de emergência quando estivermos operando o caminhão. Dessa forma, estamos desenvolvendo a cooperativa Avemare, em Santana do Parnaíba, e melhorando a qualidade de vida das 86 pessoas envolvidas com a reciclagem de material”.
Izabel Cristina da Fonseca – diretora de relações associativas da Avemare.
“Nossa categoria precisa se profissionalizar cada vez mais com foco na Economia Solidária. Precisamos mostrar que somos capazes para fazer valer nosso trabalho e acredito que tanto o curso quanto a entrega dos caminhões é uma prova de que estamos crescendo e conquistando um lugar ao sol”.
Armando Octaviano Junior – presidente da Coopercata, em Mauá.
“Não basta fazer o caminhão funcionar dia e noite, é preciso também ter atenção e fazer a manutenção correta. Pois, será com o uso dele que aumentaremos o número de material coletado, entre outros benefícios. Hoje coletamos uma média de 180 toneladas mês”.
Reginaldo Rufino dos Santos – triador de material reciclável da cooperativa Raio de Luz.
“Teremos mais autonomia com a chegada dos caminhões. Vamos coletar material em outros municípios e em qualquer horário. Tudo o que aprendemos durante o curso vamos aplicar em nosso dia-a-dia, passando aos demais cooperados para que todos possam cuidar dos bens da cooperativa”.
Vilma Moura – coordenadora da cooperativa Vila Popular, em Diadema.
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Assista abaixo reportagem da TV dos Trabalhadores e clique aqui para conferir a reportagem do ABCD Maior:

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