Com apoio da CUT, trabalhadores da Copromem conquistam nova fábrica

Depois de mais de quatro anos de luta, trabalhadores da Copromem – Cooperativa dos Produtos Metalúrgicos de Mococa, conseguiram R$ 32,1 milhões do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e vão realizar o sonho de construir uma nova planta industrial.
A cerimônia de assinatura do contrato de colaboração financeira entre o BNDES e a COPROMEM será realizada no próximo dia 29, às 14h00, na sede da cooperativa – Rua Coronel Diogo, 525, bairro Aparecida, em Mococa, no interior de São Paulo. Participam da cerimônia, representantes do BNDES, da Cooperativa, da Unisol Brasil, da INTEGRA e da CUT, que acompanha todas as discussões de economia solidária e cooperativismo no País, através da Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS-CUT) e contribuiu decisivamente para essa conquista dos trabalhadores.
A cooperativa de produção foi criada em 2000, quando um grupo de ex-trabalhadores na falida Nicola Rome Máquinas e Equipamentos se uniu para recuperar a produção. O empreendimento fatura atualmente cerca de R$ 100 milhões por ano, mas continua funcionando no primeiro prédio, construído por volta de 1890, cuja logística ultrapassada prejudica a produtividade.
“A construção da nossa nova fábrica é a realização de um sonho acalentado desde 2007”, diz Pedro Luiz de Souza, presidente da Copromem. “O prédio onde estamos não é nosso. É da massa falida da antiga empresa e está ultrapassado, a logística é ruim e o ambiente é insalubre”.
Sobre as vantagens de ter uma planta mais moderna, Pedro Luiz cita melhores condições de trabalho, o aumento de produtividade, da renda e a geração de novos postos de trabalho.
“Com a nova fábrica reduziremos nossos custos, trabalharemos em um ambiente mais saudável e, consequentemente, aumentaremos a produtividade, gerando mais renda para os cooperados e propiciaremos também a geração de mais empregos”.
O projeto financiado pelo BNDES garante a manutenção dos atuais 481 postos de trabalho e possibilita a abertura de mais 120 novas vagas até 2014. Quanto à produtividade, pode ser dobrada: das atuais cerca de 1.400 toneladas/mês para cerca de 2 mil toneladas/mês na nova fábrica.
A Unisol Brasil (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários), órgão de representação de cooperativas e empreendimentos da economia solidária, especializada em apoiar a recuperação de empresas por cooperativas de trabalhadores, usou toda a sua experiência e conhecimento para que o projeto finalmente saísse do papel. Para isso, contou com a ajuda da CUT, que contribuiu facilitando o diálogo com os técnicos do BNDES.
Segundo o presidente da UNISOL Brasil, Arildo Mota, foram quatro anos de trabalho para que o empréstimo finalmente saísse do papel. “Realizamos um trabalho de parceria estratégica para as mais de 700 cooperativas filiadas a nossa entidade – desde as de produção, serviços, agricultura familiar, entre outras. E neste caso, nosso trabalho foi, junto com a CUT, facilitar o diálogo entre a Copromem e os representantes do BNDES. Ajudamos na discussão das adequações necessárias no Programa de Apoio à Consolidação de Empreendimentos Autogestionários (Pacea) para que o projeto se tornasse realidade”, concluiu Arildo.
Com apoio técnico da Integra, cooperativa também filiada a UNISOL Brasil que atua na área de engenharia civil e gerenciamento de projetos e é formada por profissionais formados pela Escola Politécnica da USP, a Copromem desenvolveu mais de quatro versões do projeto de negócio.
“Tivemos de adequar o projeto às exigências e as mudanças que os técnicos do BNDES foram fazendo ao longo do processo de negociação”, explica Marcelo Kehdi Gomes Rodrigues, secretário geral da Unisol Brasil.
Segundo ele, foi necessário fazer um ajuste no Pacea para adaptá-lo à realidade das cooperativas de produção, como é o caso da Copromem. Na verdade, foi criado um novo modelo de operação financeira, que prevê redução nas garantias e compartilhamento dos riscos com operações mistas.
“As garantias ao Pacea foram reduzidas para 50%. No caso da Copromem, as garantias são a fábrica que será construída, os equipamentos já existentes e os que serão adquiridos”, diz Marcelo Kehdi, que explica: “a garantia que o banco normalmente exige de uma indústria mercantil é mais de 150%”.
Com relação ao compartilhamento dos riscos, Marcelo diz que parte dos recursos será emprestada diretamente pelo BNDES (R$ 20 milhões) e outra parte indiretamente pelo Banco do Brasil (R$ 10 milhões), um operador financeiro do banco de desenvolvimento. A estrutura do financiamento é de 15 anos, com três anos de carência.
Além disso, a cooperativa conseguiu mais R$ 400 mil a serem providos com recursos não reembolsáveis do Fundo Social do BNDES e vai aportar – como contrapartida – R$ 1,7 milhões para custear estudos e projetos.
A CUT acompanhou as discussões de economia solidária e cooperativismo junto a Unisol Brasil e suas cooperativas e acompanhou na reta final a luta dos trabalhadores para conquista dessa nova fábrica.
O Pacea tem por objetivo apoiar a implantação e a consolidação de empreendimentos autogestionários no setor industrial que tenham sustentabilidade.
As entidades beneficiárias do Pacea são cooperativas de produção, centrais ou singulares constituídas a partir de situações de falência ou fechamento de unidades produtivas que utilizem a estrutura de produção do antecessor, com atuação em segmentos industriais, que tenham gestão participativa e democrática, onde todos os cooperados tenham acesso às informações referentes aos negócios e à gestão do empreendimento.
No Pacea, o valor máximo do financiamento pode alcançar R$ 10 na modalidade direta e R$ 30 milhões na modalidade mista, nesse caso, com a participação do BNDES, no que superar o limite máximo previsto para a modalidade direta, será na mesma proporção do investimento da Instituição Financeira Credenciada, de modo que ficará limitada a R$ 20 milhões. A participação do BNDES alcança até 95% dos itens financiáveis.

O projeto Copromem

Situada no nordeste do estado de São Paulo, a Copromem construirá sua nova planta industrial em terreno doado pela Prefeitura de Mococa e a modernização do processo produtivo no novo ambiente. O terreno doado tem 92.000m2 e fica situado às margens da Rodovia SP 340.
O Município de Mococa tem população urbana com mais de 57 mil habitantes e a a cooperativa é uma das grandes geradoras de postos de trabalho da região, com importante participação na geração de renda e tributos para o município.
A Copromem produz componentes oxicortados e conjuntos soldados, com serviços complementares de usinagem, jateamento e pintura, itens voltados principalmente para componentes de máquinas de terraplanagem, construção civil, mineração e agrícola.
A Copromem é um empreendimento autogestionário há 10 anos no mercado e apresenta amplo know-how, adquirido ao longo desse período atendendo a clientes de grande porte como a Carterpillar do Brasil Ltda., a CNH – Case New Holland e a Komatsu do Brasil Ltda – KDB, que mostraram disposição em aumentar os volumes de negócios com a Cooperativa.
Fonte: CUT (Central Única dos Trabalhadores) Nacional. 

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