DE OLHO NO FUTURO, COPACAJU PRODUZ ATÉ 10 TON. DE CASTANHAS POR ANO

Central de cooperativas filiada à Unisol também processa a polpa, vendidas para todo o Brasil e exportadas para a Itália.

Sempre operando na economia solidária, a Copacaju, união de cooperativas produtoras de caju do interior do Ceará filiada à Unisol, está vendendo hoje uma média de oito a dez toneladas de amêndoas caramelizadas por ano. Com 328 cooperados atualmente, assentados da reforma agrária e distribuídos em sete cooperativas, já estão vendendo para todo o Brasil e inclusive exportando seus produtos para a Itália.
A Copacaju existe desde 2002: era uma cooperativa de primeiro grau, que juntava a produção de associações da região. Como central de cooperativas, ela foi instituída em 2005, sempre explorando a coleta e a transformação do caju. Além das amêndoas – vendidas in natura, caramelizadas ou salgadas – a central produz polpa de caju para consumo e estão começando a vender a cajuína, uma espécie de suco clarificado obtido da polpa fervida da fruta, muito consumido no nordeste brasileiro.
A fonte da coleta não é apenas o plantio, mas também a árvore encontrada na natureza. “As espécies das duas procedências têm suas vantagens e desvantagens. A árvore selvagem é mais resistente, pois tem raízes mais fundas. Já aquela obtida pelo plantio é até três vezes mais produtiva e dá frutos mais cedo”, explica o presidente da Copacaju, Raimundo Pereira da Silva.
Segundo ele, cada 100 hectares (equivalentes a 1 km2 de plantio) produzem até 300 mil kg de polpa de caju e 30 mil kg de amêndoa – nada mais do que a popular castanha de caju, que em muitos países a população não sabe que nasce junto com uma fruta.
“O negócio prosperou graças à nossa parceria com a Unisol”, diz Silva. “Além de toda a ajuda administrativa, a central de cooperativas conseguiu nos colocar em grandes redes de varejo, como a WalMart, hoje a rede Big. E já estamos próximos de entrar em outras também.” Ele diz que a Copacaju consegue exportar de três a quatro contêineres de produtos, principalmente amêndoas, anualmente para a Itália, em parceria com uma central de cooperativas do Piauí.
Mas há desafios adiante. Em primeiro lugar, a pandemia. “A produção diminuiu, sim, por causa das restrições de deslocamento e aglomeração. Mas continuamos trabalhando dignamente.” Alguns empreendimentos da Copacaju ainda aguardam o licenciamento, outros estão em fase de conclusão de suas instalações.
Igualmente preocupante é o desafio de conservar os cajueiros, um dos símbolos do Ceará e de outros estados nordestinos. “Precisa haver políticas públicas para o caju não desaparecer. A agricultura familiar não trabalha com defensivos agrícolas fortes, que são muito tóxicos e caros. E os agricultores cearenses têm a experiência traumática do desaparecimento do algodão.”
Até os anos 1980, o Ceará era o maior produtor de algodoeiros do Brasil. Mas então uma praga chamada de bicudo dizimou as plantações. Elas só foram retomadas em 2020, com sementes pesquisadas e fornecidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Foi a Embrapa que, depois de um investimento internacional de R$ 12 milhões, nos trouxe sementes e mudas de cajueiros mais resistentes”, diz Silva.

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