Estiagem arrasa produção de mel no Piauí

Além de derrubar a produção, seca provoca morte ou fuga de 80% dos enxames de abelhas no principal polo do Estado. Foto: Valor Econômico.


Os seis meses praticamente sem chuvas conseguiram arrasar a produção de mel do Piauí, o segundo polo mais importante de produção do Brasil. De acordo com apicultores do Semiárido piauiense, que comporta dois terços da produção estadual, houve quebra de quase 90% da safra. E não foi só isso: 80% dos enxames de abelhas morreram ou fugiram atrás de alimentos e água. Isso afetou não apenas a safra atual, encerrada em julho, mas já compromete a próxima.
“Começaremos o ano que vem com 40% a menos de mel”, diz Sitonho Dantasque, diretor-geral da Casa Apis, uma das cooperativas mais estruturadas do Estado.
Entre janeiro e junho, período tradicional de chuvas e floração das árvores, o Semiárido piauiense recebeu apenas 170 milímetros de água. Em anos normais, são 700 milímetros de precipitação. Outro agravante neste ano foi a má distribuição das águas. “Já teve ocasiões em que choveu pouco, 250 milímetros, mas foi espaçado. Desta vez vieram três chuvinhas, uma atrás da outra. Em 15 dias, choveu tudo o que deveria ter chovido no semestre”, diz Dantasque, responsável por cerca de 900 produtores de mel no Estado, com 52 mil colmeias. “O Norte [do Piauí] salvou o Estado, mas a produção lá é bem menor que no Semiárido”.
É uma situação bem diferente da registrada na safra passada, quando o tempo ajudou a Casa Apis a colocar nos entrepostos 700 toneladas de mel, puxando a produção estadual para mais de seis mil toneladas no ano e a segunda posição nas exportações do produto pelo país. Neste ano, a cooperativa deverá comercializar somente 98 toneladas. Com isso, a expectativa é que a produção do Estado atinja, no máximo, 2,5 mil toneladas de mel.
Para tentar contornar o problema, o Piauí está em fase final de estudo de um programa de formação de pasto apícola – replantio de árvores nativas como o juazeiro e a aroeira, na tentativa de atrair e manter as abelhas no Semiárido. A iniciativa deverá contar com apoio do Estado, Ibama, universidades e de um aporte financeiro do Banco Mundial. A ideia é adensar cerca de 600 hectares de áreas desmatadas descontinuadamente num raio de três mil hectares.
De acordo com os apicultores, as árvores nativas são importantes porque fornecerão o pólen necessário para a sustentação da apicultura no Estado do Piauí. Atualmente, muitos produtores são obrigados a recorrer a misturas de açúcar e água como alternativa de alimentação aos insetos. Na prática, no entanto, a iniciativa não tem surtido o mesmo efeito sobre as colmeias.
O Estado nordestino, que aderiu à cultura do mel na década de 1970 com a chegada de apicultores paulistas à região, representa hoje aproximadamente 40% da produção nacional. Ali estão 18 mil apicultores e 350 mil colmeias, e quase todo o mel produzido segue para exportação.
Em primeiro lugar, está o Rio Grande do Sul, onde a safra está em curso, com 7 mil toneladas de mel por ano. Outros oito Estados brasileiros produzem mel em volumes próximos, que, frequentemente, alteram as posições no ranking nacional, dependendo do ano. No total, o país produz 45 mil toneladas.
Fonte: Valor Econômico / Bettina Barros.

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