Para diretor do Sebrae, parceria com a UNISOL é importante

Presidente Sebrae

A Central de Cooperativas reúne empreendimentos que se encaixam no público-alvo da entidade integrante do sistema “S”.

O diretor-técnico do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Carlos Alberto do Santos, afirmou em entrevista à UNISOL Brasil, que a parceria iniciada em 2005 com a UNISOL Brasil é de extrema importância para a entidade integrante do sistema “S”. De acordo com Santos, os empreendimentos solidários filiados à Central de Cooperativas se encaixam perfeitamente no público-alvo formado por pequenas empresas que precisam de treinamento para conseguirem competir no mercado.
Santos lembrou que a parceria começou com o apoio a 99 empreendimentos em 12 estados e hoje abrange 962 empreendimentos em 25 unidades da federação. Leia abaixo a entrevista na íntegra.

UNISOL Brasil – Como se dá o apoio do Sebrae aos empreendimentos de Economia Solidária?

Carlos Alberto dos Santos  Há alguns anos o Sebrae vem promovendo iniciativas para o fomento aos empreendimentos da Economia Solidária. Nossa instituição sempre esteve engajada com iniciativas relacionadas ao cooperativismo, tanto de produção quanto de crédito. Essa parceria do Sebrae começou quando empresas foram recuperadas pelos trabalhadores, que precisavam de capacitação para gerenciá-las. O compromisso do Sebrae é de fazer com que esses empreendimentos sejam uma alternativa para a inclusão produtiva, bem como fazer com que se tornem cada vez mais sustentáveis. Diante desse propósito, ofertamos soluções muita das vezes construídas com parceiros estratégicos para assegurar melhores condições de gestão, inovação, tecnologia, acesso a crédito e oportunidades de mercado.

UNISOL – Quando começou esse trabalho para desenvolver os empreendimentos de Economia Solidária?

Santos  O tema da economia solidária sempre esteve presente nas iniciativas e projetos do Sebrae, seja para aqueles relacionados com o universo urbano seja com o rural. No início dos anos 2000, porém, foram intensificadas as ações a partir de parcerias firmadas com instituições estratégicas. Em 2005, precisamente, firmamos a primeira parceria com a UNISOL Brasil, quando tinha apenas 99 empreendimentos filiados. Nessa ocasião, além de fomentar o desenvolvimento dos empreendimentos, tivemos oportunidade de contribuir com a difusão das práticas e princípios da Economia Solidária por diversos estados, assegurando uma significativa ampliação da base. Os resultados foram tão satisfatórios que motivaram a renovação do nosso compromisso de continuar com o fomento de oportunidades para construir uma alternativa concreta e real de inclusão, a partir do cooperativismo e associativismo como preceitos essenciais.

UNISOL – Como funciona essa parceria com a UNISOL Brasil?

Santos  A primeira parceria do Sebrae com a UNISOL foi iniciada em 2005. O propósito era contribuir com a sustentabilidade e o fortalecimento de 99 empreendimentos da Economia Solidária em 12 estados e expandir a base de associados da UNISOL. Atualmente, estamos no terceiro convênio, abrangendo 962 empreendimentos em 25 unidades da Federação, exceto Alagoas e Maranhão. O Sebrae responde pela assistência técnica aos empreendimentos vinculados à UNISOL, por intermédio da oferta de cursos, oficinas temáticas e setoriais, seminários, intercâmbios e consultorias especializadas. As ações do Sebrae estão relacionadas com autogestão, mercado, acesso a serviços financeiros, inovação e tecnologia.

UNISOL – Por que essa parceria com a UNISOL Brasil é importante para o Sebrae?

Santos  O Sebrae tem por missão promover o desenvolvimento sustentável e a competitividade dos pequenos negócios e fomentar o empreendedorismo para fortalecer a economia brasileira. A UNISOL reúne um segmento importante da clientela do Sebrae, notadamente agricultores familiares, microempreendedores individuais e profissionais autônomos ainda por se formalizar, o que vai ao encontro do nosso público para atendimento em todo o País. Capacitá-los para uma gestão mais qualitativa dos seus negócios contribui para aumentar o faturamento e a renda familiar.

UNISOL – Sebrae e UNISOL são parceiros no projeto “Desenvolvimento Sustentável e Fomento à Inovação por meio do Empreendedorismo e da Economia Solidária”. Fale um pouco da importância deste projeto, de como funciona e dos resultados alcançados. Qual a abrangência dele?

Santos  Esse projeto começou em outubro de 2005 envolvendo 99 empreendimentos no Distrito Federal e 11 estados (AM, BA, CE, MG, PA, PE, PI, PR, RS, SC, SP). Hoje, no terceiro convênio com prazo até 2015, nossa parceria abrange o Distrito Federal e 24 estados, exceto AL e MA, e 962 empreendimentos da Economia Solidária ligados à UNISOL. Começamos com seis setores contemplados e hoje são 12. O trabalho de assistência técnica e orientação para acesso a mercado, principalmente, contribuíram para aumentar a renda média e o faturamento desses empreendimentos. Foram constituídas redes setoriais de comercialização e, até 2015, temos o desafio de tornar viável 80 parcerias para geração de novos negócios, 650 atendimentos com soluções de inovação, 16 mil atendimentos, formação de 40 unidades territoriais e 13 bases de serviços de apoio à comercialização. 

UNISOL – A UNISOL Brasil foi fundada há dez anos. O senhor pode fazer uma análise do desenvolvimento da Economia Solidária neste mesmo período em que a UNISOL começou a atuar?

Santos  Assim como outros atores e instituições estratégicas envolvidas com esse tema, a UNISOL Brasil vem desempenhando um papel extremamente relevante nesta última década. Além de contribuir com proposições importantes ao marco legal da Economia Solidária, também teve a capacidade de expandir sua área de atuação a todo o território brasileiro, disponibilizando aos empreendimentos da Economia Solidária uma oportunidade para ingressar em uma central que promove articulações políticas e mobiliza parcerias para propiciar ações de desenvolvimento com foco em assistência técnica, consultoria e oferta de soluções customizadas. E nesse contexto houve muitos avanços.

UNISOL – No seu ponto de vista, qual segmento da Economia Solidária tem se destacado (agricultura familiar, reciclagem, artesanato etc)?

Santos  No mundo rural, a cultura da cooperação é uma alternativa que assegura resultados mais efetivos para os produtores familiares. Também são muitas as políticas públicas direcionadas para esse segmento, o que repercute em grandes avanços. Não podemos descartar, porém, as cooperativas de produção de outros segmentos representativos: confecção e têxtil, construção civil, metalurgia, dentre outros. Apesar de avanços consistentes, ainda há muito por fazer. Precisamos promover melhorias significativas relacionadas ao mercado e, principalmente, à incorporação de inovações e tecnologias. Outro tema que vem evoluindo bastante são as cooperativas de crédito. Elas têm assumido um papel relevante no sentido de dinamizar a economia local, na medida em que assumem o compromisso de disponibilizar recursos para fomentar o processo produtivo com linhas de financiamento especiais, buscando as melhores condições possíveis, e a criação de fundos de aval consistentes.

UNISOL – No que diz respeito à gestão e inovação, como se encontravam os empreendimentos de Economia Solidária no momento em que eles foram integrados aos projetos do Sebrae e como se encontram agora? Quais os avanços e o que ainda precisa melhorar?

Santos  Esses são temas prioritários e vêm tendo a atenção do Sebrae que atua no sentido de aumentar a produtividade da nossa economia. Aprimorar cada vez mais a capacidade de gestão de um empreendimento e inovar são desafios que mobilizam o Sebrae em todo o País. Se considerarmos o início de nossa parceria, em 2005, certamente vamos nos deparar com grandes saltos. Mas precisamos continuar nessa rota de ampliar a percepção dos empreendimentos solidários de que a sua garantia de sustentabilidade está baseada inicialmente na capacidade de autogestão. Não adianta dispor de competência nos processos produtivos se não houver cooperados preparados para gerir os aspectos jurídicos, os controles internos, os insumos para a produção, as estratégias de mercado, dentre tantos outros temas relacionados com o cotidiano de um empreendimento. E a inovação deve estar presente em tudo isso. Não só tecnologias para o processo produtivo, mas também para a autogestão e para acesso ao mercado.

UNISOL – O Sebrae está envolvido em outros projetos relativos à economia solidária? Há a intenção de tocar novos projetos em parceria com a UNISOL? Pode citar algum?

Santos  Estamos envolvidos em diversas iniciativas de fomento à Economia Solidária, principalmente por meio de parcerias com atores estratégicos, e pretendemos manter nossos esforços para fortalecer cada vez mais esses empreendimentos. É missão do Sebrae promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios e fomentar o empreendedorismo para fortalecer a economia nacional. Portanto, estamos cumprindo com o nosso dever ao construir projetos e firmar parcerias para fortalecer os empreendimentos da Economia Solidária.

UNISOL – Qual sua expectativa em relação ao futuro dos empreendimentos de economia solidária? Esse segmento está consolidado? Está em vias de consolidação?

Santos  A Economia Solidária é uma alternativa concreta de inclusão produtiva que tem obtido avanços significativos com o passar dos anos. É um segmento que está consolidado no Brasil. Precisamos assegurar mais avanços impulsionando políticas públicas mais consistentes, marcos legais mais efetivos para o cooperativismo e muita assistência técnica para assegurar a consolidação dos empreendimentos e a sustentabilidade dos mesmos em um mercado globalizado e cada vez mais competitivo. A Economia Solidária tem se mostrado um caminho efetivo para inserir milhares de pessoas no universo do trabalho. O que nos cabe é fazer com que essas pessoas tenham cada vez mais melhores condições para viver a partir da cultura da cooperação e do espírito empreendedor coletivo para assegurar mais renda e bem-estar as suas famílias.

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