PRESIDENTE DA UNISOL ARTICULA LUTA PELA AGRICULTURA FAMILIAR COM QUILOMBOS DE ELDORADO (sp)

Léo Pinho está em viagem pelo Vale do Ribeira discutindo propostas para a economia solidária com entidades filiadas à CooperCentral

O apoio para lutar contra leis que prejudicam a economia solidária e a costura de uma aproximação entre a Comissão Nacional de Direitos Humanos e as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Essas foram propostas debatidas pelo presidente da Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários), Léo Pinho, e os grupos, todos de quilombos, visitados nesta terça (25/5), durante o segundo dia da viagem aos empreedimentos membros da CooperCentral VR.

Léo Pinho conversando com a comunidade do quilombo Ivaporunduva

As visitas de hoje foram todas em Eldorado, cidade com uma diversidade de quilombos. Neles, a comunidade vive da terra, comercializando produtos típicos do Ribeira – como banana e palmito pupunha – e plantando outros diversificados para subsistência. São quilombos instalados na área, alguns desde o século XIX, outros já do final do século XX. Todos, porém, compartilham problemas: a pressão dos grandes proprietários sobre o uso da terra, o tristemente comum preconceito étnico e ainda o desaquecimento econômico proveniente da pandemia de covid-19 e dos erros do atual governo.

Neste cenário, o presidente da Unisol convidou os líderes e os quilombolas com quem conversou a ajudarem na organização da resistência a projetos nocivos que estão tramitando no Congresso Nacional.

Um deles, que já passou pela Câmara e agora está no Senado, busca criar reserva de mercado para o fornecimento de leite líquido para a merenda escolar em todo o país. “Por si só, o leite líquido pode não ser um grande problema, exceto em comunidades desacostumadas ao seu consumo, como algumas ribeirinhas no Norte do país. O problema é que, quando se cria reserva de mercado para um produto, abre-se um precedente para que seja garantida exclusividade para outros. E, claro, por terem recursos para o lobby, as grandes empresas acabam monopolizando o fornecimento e prejudicando o produtor familiar”, explicou Léo Pinho.

Acompanhando-o na viagem, a líder estudantil Julia Köpf, do coletivo ParaTodos, convidou as comunidades a organizar um seminário para a juventude local. “Queremos ajudar os jovens a se articular segundo seus anseios para garantir um futuro na terra que é deles.” O evento ainda terá outras fases de planejamento.

A visita da manhã ocorreu no galpão da Cooperquivale, que tem 16 comunidades quilombolas filiadas, num total de 286 cooperados, e trabalha com a VR CooperCentral ajudando na representação política e na logística.

Julia Köpf conversando com a comunidade no quilombo Ivaporunduva

À tarde, a visitação foi no notório quilombo Ivaporunduva, com mais de mil membros (contando comunidades vizinhas). Nele já ocorre o chamado “turismo étnico” – ou seja, é um ponto de visitação para escolas conhecerem a história da escravidão e da luta do povo negro, em particular no sul do estado de São Paulo.

Os representantes de ambas as entidades se comprometeram com a aproximação e em participar das lutas encampadas pela Unisol. A agenda de visitações será concluída nesta quarta (26), em outras duas cidades do Vale do Ribeira.

Mel produzido na Cooperquivale fruto da agricultura familiar.

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