Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC fala sobre a UNISOL

Rafael Marques_Sindicato

Alexandre Antonio, da Unisol, (a esquerda) conversa com Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC


Rafael Marques comenta sobre a importância da parceria entre o Sindicato e a Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários

Em entrevista para a UNISOL Brasil, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, falou sobre a parceria que existe entre o sindicato e a UNISOL Brasil e da importância que um tem para o outro.

É um orgulho termos participado desde o nascimento e estarmos até hoje com a UNISOL. O resultado nos satisfaz bastante”, comentou o sindicalista.

Para Marques, a UNISOL possui uma tecnologia social única, de extrema importância para que as mudanças sociais e econômicas almejadas pela classe trabalhadora se tornem realidade. Mas a consolidação do papel da Central de Cooperativas depende muito da manutenção do atual modelo de governo. Abaixo a entrevista concedida à UNISOL Brasil.

UNISOL Brasil – Como você analisa os dez anos da UNISOL Brasil?

Rafael Marques – Eu diria que é uma trajetória de sucesso. Teve muito trabalho, suor, dedicação de pessoas dentro da UNISOL, apoiadores e pessoas da base, que quiseram mudar de vida e viram no empreendimento solidário uma alternativa. Eu vejo um trabalho que cresce e se articula todo ano. E é resultado de uma crença muito forte de homens e mulheres em um novo País. Acho que todo mundo que está envolvido sente orgulho de ter transformado a vida daquele cidadão, daquela cidadã.

UNISOL Brasil – Desde a sua fundação, a história da UNISOL Brasil está atrelada ao Sindicato. Como funciona essa parceria?

Rafael Marques – O Sindicato apoia a UNISOL Brasil com o seu peso político, social e o capital humano. A UNISOL é um modelo de sociedade que nós defendemos para o Brasil. Um modelo de transformação, rumo ao socialismo, com oportunidades iguais. Sendo assim, o Sindicato ajudou e ajuda nas principais demandas da UNISOL, com aparato estrutural, econômico e político. Lutamos pela transformação de empresas em situação de falência. Alguns pequenos empreendimentos nós também transformamos em cooperativas. Apesar de ter havido mudanças na legislação que apoia o cooperativismo, comparado com outros países, nós ainda estamos, eu acho, um passo atrás. Principalmente no caso da indústria. O Brasil ainda tem um caminho extenso pela frente para emancipar mais a classe trabalhadora, distribuir a renda, buscar ser mais igualitário. Todos os esforços feitos, inclusive sob a liderança do Lula e agora da Dilma, seguem uma resistência dos principais capitalistas brasileiros. E a UNISOL Brasil está inserida nessa movimentação por um País diferente. Então, o apoio à Economia Solidária e à UNISOL é criar os instrumentos para que tanto os trabalhadores organizados em seus sindicatos, quanto as outras formas de organização, evoluam no caminho desse País que a gente defende.

UNISOL Brasil – A UNISOL também tem uma importância para o Sindicato? Qual seria ela?

Rafael Marques – Tem importância porque esse movimento ajuda o próprio Sindicato a repensar o modelo de organização. Não podemos apostar somente na velha teoria capital e trabalho, temos que apostar no novo. A UNISOL é uma teoria nova, que desafia inclusive a nós. Quando você transforma um empreendimento solidário em uma cooperativa e os trabalhadores passam a ser controladores daquele processo, é um desafio a gente não perder os vínculos de classe. É desafiador a existência da UNISOL, das cooperativas e entender as relações que acabam se criando a partir disso. Nós temos que entender que a relação sindicato / trabalhadores / Volkswagen não é a mesma que entre sindicato / trabalhadores / Uniforja. O sindicato tem que participar junto com os nossos amigos da cooperativa para entender que esse processo é rico em termos do que vem de novo a partir disso, apesar de ter suas contradições.

UNISOL Brasil – Como estava a Economia Solidária há dez anos quando a UNISOL foi criada? O que era falar de Economia Solidária naquela época?

Rafael Marques – Há 10 anos, com a eleição do Lula, isso ganhou força. Acho que a UNISOL Brasil inclusive ganhou uma lógica muito forte a partir dai. Foi criado uma secretaria de Economia Solidária. O tema passou a ser uma preocupação para o governo federal. A gente sabe que política é gesto, é levantar preocupação. Se tem um presidente que ouve “Economia Solidária” e entra por um ouvido e sai pelo outro, nada vai acontecer. Mas tendo no governo federal uma liderança que respeita, gosta e quer que a coisa evolua, isso faz a diferença. E fez, com a criação da UNISOL, inclusive na motivação que levou o Sindicato a apostar, desde o primeiro caminhar da UNISOL. O nascimento dos empreendimentos Brasil afora deu uma dinâmica ao País. Cerca de 8% do PIB geral do Brasil está na Economia Solidária. Quer dizer, é assim que você cria um País novo. Isso é tão ou mais importante que uma política pública direcionada ao combate à fome, à valorização do salário mínimo. Isso é uma coisa que vem e fica, e certamente as pessoas que participam disso se transformam, mudam de matriz ideológica. Isso é fundamental.

UNISOL Brasil – Como o senhor vê a colaboração da UNISOL para o crescimento da Economia Solidária?

Rafael Marques – A UNISOL tem um papel fundamental nesse crescimento. Ela é articuladora de programas, tem uma bagagem de iniciativas que deram certo e errado. Aprendeu fazendo, então tem uma tecnologia social, de funcionamento, tem planos de futuro. Quanto mais a UNISOL estiver estruturada, mais ela ajudará a melhorar as condições concretas para a Economia Solidária crescer, como também melhorar as condições do ponto de vista da legislação e econômico. A UNISOL, na minha avaliação, é a melhor iniciativa para a Economia Solidária no Brasil.

UNISOL Brasil – A Economia Solidária está consolidada no País?

Rafael Marques – Ela está em um processo de consolidação. Evidentemente, na minha opinião, a sociedade brasileira ciente de estar em um processo de eleição presidencial sabe que se procurar outros caminhos isso pode atrapalhar. É importante para a Economia Solidária e para a UNISOL que esse modelo de governo, de sociedade que está em vigência no Brasil permaneça. A consolidação desse processo depende muito de fatores políticos e econômicos. Não teríamos a força da Economia Solidária aqui no estado de São Paulo a partir da liderança do governo do estado. É um processo de consolidação que para avançar precisa que a sociedade continue apostando em um País que tenha prioridades de distribuir renda, buscar combater a desigualdade e criar modelos alternativos que partam da própria iniciativa dos trabalhadores.

UNISOL Brasil – Como o senhor vê as perspectivas para o futuro da Economia Solidária? E da UNISOL Brasil?

Rafael Marques – O Brasil é um país que está inserido no mundo de forma cada vez mais intensa, de uma maneira global, independente. E nesse ponto, a nossa agricultura familiar tem peso fundamental. Acho que ai tem um caminho imenso e é onde o Brasil, disparado, se destaca. Os movimentos sociais brasileiros são movimentos fortes, que crescem e quanto mais movimentos estiverem organizados, mais a gente consegue trazer trabalhadores para esse tipo de iniciativa. Então, você tem um mundo de questões sobre como a UNISOL pode continuar crescendo e sobre a necessidade de avançar. Como, por exemplo, aprimorar as questões de gestão e projeto. Acho que a UNISOL tem que entrar nesse setor fortemente. O terceiro setor brasileiro é muito forte também e a UNISOL pode lidar com ele a partir do seu próprio grupo de empreendimentos. E projeto é uma coisa que falta para o Brasil. A UNISOL pode colocar como desafio ter um grupo de pessoas designado a isso: pensar projetos para a própria Economia Solidária, mas que influencie o Brasil como um todo. Isso é algo que acho fundamental, além das questões de natureza financeira. É importante tentar estruturar uma engenharia financeira, um banco que tenha esse papel de financiar a Economia Solidária. Do ponto de vista dos bancos públicos tem algum caminho para explorar, mas precisava ter um banco público só para isso. Ter uma agência de fomento para esses empreendimentos, acho que é um caminho importante para a UNISOL pensar.

UNISOL Brasil – Essas perspectivas vêm em parceria com o Sindicato? Esse trabalho continua?

Rafael Marques – Enquanto o Sindicato existir vai ter parceria. Nós vamos continuar apostando, porque achamos que os resultados, inclusive dos empreendimentos solidários de todo o Brasil, estão além da categoria. Muito nos orgulha termos participado desde o nascimento e estarmos até hoje com a UNISOL. O resultado nos satisfaz bastante. Cada vez que a categoria conhece uma iniciativa (e nós temos uma categoria muito solidária, que se importa muito com o social) ela tem apoio.

 

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