Primeiro dia do segundo módulo do Fórum de Lideranças da Unisol Brasil trouxe discussões essenciais

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Nos dias 25 e 26 de novembro aconteceu a segunda parte do Fórum de Formação de Lideranças da Unisol Brasil. Recebendo afiliados cooperados de todo o Brasil, o objetivo era o de fortalecer os conhecimentos políticos e promover uma troca de experiências entre os palestrantes e a audiência.

O primeiro dia do segundo módulo trouxe discussões necessárias e pertinentes à sociedade, à Unisol Brasil e ao movimento sindical. A mesa de ‘Igualdade de Gênero’, estava composta por Mirian Pocebon, Diretora Executiva da UNISOL Brasil, Ana Alice, Diretora Executiva do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e membro da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Marcia Barral, Secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania da Prefeitura de São Bernardo do Campo, Maria Cristina Corral, Coordenadora de Autonomia Econômica da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo, Sandra Pareschi, Presidenta da NEXUS/Itália e Neon Cunha, Mulher Trans Militante e Diretora de Arte.

O debate iniciou-se por Ana Alice falando sobre uma melhor inclusão na sociedade para a população negra feminina. Ela apresentou dados preocupantes, mostrando que 71% das mulheres que trabalham não são negras; e na área metalúrgica, onde cerca de 36% estão na área administrativa; 25% tem superior completo e 41% o ensino médio, evidenciando a baixa escolarização. Alice pontuou os avanços e desafios do ativismo sindicalista e ressaltou o trabalho realizado pelo CNM: a discussão de temas, por meio de grupos, entre eles, de mulheres trabalhadoras, de igualdade racial, de direitos humanos, de cultura, de cooperativismo e de economia solidária.

Segundo ela, os avanços vieram após a realização do 2º Congresso da Mulher Metalúrgica no ABC, que aconteceu em 2010. Neste evento, vieram à tona pautas como a licença-maternidade, que segundo ela, foi “uma luta para conquistar, gerando muita discussão”; a flexibilização dos horários das creches (assunto que envolve políticas públicas e divisão social do trabalho);a inclusão de mulheres nas áreas técnicas (ascensão profissional); política de contratação (onde as fábricas metalúrgicas se comprometeram em contratar 30% de mulheres, pois a segregação não se justifica, com a constante automatização dos processos e consequentemente, tarefas menos pesadas); a igualdade de participação nas instâncias de decisão e de poder; o fim da violência contra as mulheres e outros direitos e cidadania relacionados.

“Temos que aumentar a participação das mulheres na principais discussões das políticas públicas, para aumentar a participação das mulheres na sociedade”, reforçou Alice. Em seguida Marcia Barral mostrou as ações de Políticas Públicas (PPs) voltadas para as mulheres. Entre as principais, estão a criação da secretaria e de um grupo intersecretarial para discutir as PPs com poder de decisão; temas empoderamento e violência; projeto de aquecedor solar social, que a Secretaria e Prefeitura de São Bernardo do Campo apoiaram, onde trabalham cerca de 200 mulheres, divididas por grupos; o pleiteamento de 30% de vagas para mulheres na guarda civil e 50% nos demais postos; o aumento da escolaridade das mulheres, junto a ações da Secretaria de Assistência Social e PRONATEC; o Programa Oportunidades, que tem a Frente Municipal de Trabalho que contrata mulheres por dois anos; a ampliação da oferta de vagas na educação infantil; o Centro de Referência da Mulher (que dá apoio, e articula a rede junto a delegacia da mulher); a transformação de hospital municipal em Hospital da Mulher e a reforma do sistema de tratamento à saúde mental da mulher (para residência mais humana de doentes).

Ao final de sua palestra, Barral afirmou com convicção: “A construção das políticas públicas tem um papel importante para a valorização da mulher. Tem uma discussão que impacta mais ainda, é um desafio que temos que enfrentar, temos uma sociedade da desvalorização da vida, de culto ao efêmero, e neste contexto a mulher sofre…temos riscos de retrocesso no Brasil no contexto político atual”. E continuou: “Temos um sistema de valores enraizados onde a mulher ainda ocupa, na maioria das vezes, um lugar inferior, e precisamos mudar isso, por meio de políticas públicas para articular, fortelecer, proteger as mulheres para que elas possam ter autonomia e direitos garantidos”.

Em seguida, Maria Cristina, da Prefeitura de São Paulo, pontuou as ações focadas nas PPs para as mulheres paulistas. Anunciou que estão sendo criados 16 Fóruns de Mulheres para que façam as discussões de ações mais pontuais junto às Subprefeituras. Assim como ações temáticas, onde querem tornar transversais as discussões e as ações de gênero nas secretarias municipais. Entre as iniciativas, estão:

– Cota de moradia social para mulher em situação de violência;
– Área de segurança pública, por exemplo, com a instalação já realizada de mais de 18 mil pontos de iluminação pública; contratação de dois mil novos Guardas Civis Municipais que acabam por dar apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade nas ruas e locais públicos, além do programa Guardião Maria da Penha;
– A criação da Casa da Mulher, um centro de referência;
– A constituição de Unidade Móvel da Mulher;

Ela afirmou ainda que a Prefeitura de São Paulo tem como meta a implantação de mais uma Casa Abrigo (para mulheres com risco iminente de morte) e a inauguração de mais 10 equipamentos denominados Centro de Cidadania e Centros Híbridos, que farão vários tipos de atendimento social, além de Centros de Apoio ao Trabalho e uma Diretoria de Alternativa de Renda, que irá fomentar projetos de economia solidária.

Pareschi começou fazendo elogios às ações em andamento ou já implantadas informadas pelas palestrantes, e uma provocação, perguntando como a Unisol está em relação à igualdade de gênero. Sua intenção era depois fazer uma proposta, que se concretizou ao colocar que essa discussão de gênero seja ampliada e inserida no próximo Congresso da Unisol Brasil, em 2015. Ela chamou a atenção para as políticas de austeridade na Europa, que estão diminuindo a qualidade de vida das mulheres, aumentando a carga horária (média de mais cinco horas e meia diárias de trabalho), e que é o caso urgente de retomada de políticas públicas para as mulheres no continente europeu. Mas ressaltou que tem países que estão melhores, fazendo uma política para as mulheres, usando as potencialidades do mercado ainda assim baixando os custos. Relembrou que a Nexus fez ações nos últimos anos voltadas à saúde e prevenção às doenças no trabalho na Europa. “Falar de gênero e igualdade no trabalho é uma questão política, uma questão de escolha. O nosso sistema tem ajudado no emprego, mas não de igualdade de condições. Estamos tentando resistir, na Itália. Aqui, vocês não devem perder esse ‘trem’ de apostar verdadeiramente de gênero”, disse, esperançosa.

Possebon comentou várias atividades e realizações, destacando que houve um plano de ações que teve, como eixo principal, a proposição de mais espaço para as crianças nas cooperativas e associações e a qualificação para mulheres. Por fim, Neon, iniciou sua fala parafraseando Jean Paul Satre, famoso intelectual francês: “Não se nasce mulher, torna-se mulher. Isso porque ela ressalta o ponto de vista de muitos estudiosos, onde o gênero é uma construção social, dependendo da cultura e contextos da época. Essa visão é ainda muito rejeitada pela sociedade, principalmente pela maioria das religiões, que defendem que gênero e identidade sexual são aquelas correspondentes aos órgãos sexuais. E que somos o país líder mundial de homicídios de transsexuais, uma realidade estarrecedora. Seu discurso foi de impacto e trouxe detalhes e números da violência. Relembrou que a violência não afeta apenas as mulheres como também homens transsexuais. E deu o exemplo da Argentina, onde existe a legislação mais moderna do mundo para a proteção dos transsexuais.

Seu chamamento final trouxe um apelo: “O que eu venho colocar aqui é que estes movimentos de economia solidária sejam sensíveis à causa transsexual. Gostaria que vocês sejam sensíveis e inclusivos. Não é possível viver forçada num papel onde não me reconheço. Fica uma reflexão se vocês puderem se aproximar dessa comunidade, serem mais sensíveis, comunidade esta que é uma população que tem tudo absolutamente negado – nome, escola, saúde, emprego – e que sofre as maiores violências, assassinatos, violência sexual – no Brasil e no mundo”.

As perguntas dos participantes foram desde se existe diferença entre feminismo e ser feminista até um aviso por parte de Israel Dias, assessor técnico da Unisol, que comentou a questão da importância da mulher na sociedade e como o campo, ou seja, as áreas rurais no Brasil estão ficando ‘masculinizadas’, ou melhor, com maior presença de homens. Após alguns presentes parabenizarem Neon, a Nexus agradeceu sobre a iniciativa da Unisol em incluir o presente tema na formação de lideranças. E comentou sobre um trabalho interessante da entidade que está sendo desenvolvido na Tunísia, num sindicato, de economia social e solidária. “Para mim não pode haver economia solidária se não se considerar a questão de gêneros; peço que o documento será preparado para a próxima conferência não seja uma declaração de princípios, mas sim, tópicos de um esforço para se fazer ações coletivas, a partir de um disgnóstico da situação da mulher na economia solidária brasileira. Temos disposição de ajudar e contamos com parceiras e parceiros”.

Ainda nas considerações finais, Barral relembrou que “temos uma legislação avançada e precisamos fazer valer os nossos direitos. Por exemplo, vejamos o episódio dos estupros na Universidade de São Paulo (USP), onde as estudantes levaram à frente as denúncias e criando toda a reação pelo corpo da universidade. Um dos caminhos é o da denúncia, ou o do fortalecimento e o da construção de procedimentos que valorizem a mulher, inclusive na economia solidária. Não sei qual é a sociedade brasileira que está sendo construída para futuro, eu tenho toda uma história de ativismo e a situação da posição política atual de algumas camadas da sociedade tem assustado a mim e aos meus colegas”, lamentou. E a representante de São Bernardo do Campo avisou com empolgação:“Estamos desenvolvendo um programa de economia solidária no município dando destaque às mulheres, porque elas são muito criativas”!

No dia 26 aconteceu mais uma mesa de discussão: “Estratégias de Fortalecimento da Economia Solidária”, com o propósito de levar aos participantes uma visão renovadora e estratégica da atuação de projetos na busca de uma gestão sustentável e apresentar a importância da gestão multidisciplinar e integrada a fim de atingir os objetivos organizacionais, frente ao novo cenário atual e globalizado. Os palestrantes foram Marcelo Goma, Diretor Financeiro da UNISOL Brasil, Paulo Valle, do DIEESE, Aroaldo Silva, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Sabina Breveglieri, responsável da NEXUS/Itália por projetos na América Latina e no Mediterrâneo, Alexandre Silva, Diretor da EBPS e Assessor Técnico da UNISOL Brasil e Claude Dorion, Diretor-Geral da MCE Conseils (uma entidade de consultoria vinculada a central sindical CSN em Québec/Canadá) e Coordenador, Desenvolvimento Solidário Internacional – DSI (organização de cooperação internacional vinculada a CSN).

Durante as atividades houve o lançamento da Estruturadora Brasileira de Projetos Sociais (EBPS, veja texto que será postado no site). A Fundação Banco do Brasil (FBB), que foi a principal viabilizadora da EBPS, não pode estar presente com o seu executivo Marcos Frade, mas mandou uma saudação desejando ‘boa sorte’ à entidade. Em seguida ocorreu a conclusão e avaliação das discussões apresentadas e da proposta da Formação.

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